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A 37ª Sessão Plenária Especial sobre Deficiência da Assembléia Geral da Organização
das Nações Unidas, realizada em 14 de outubro de 1992, em comemoração ao término
da Década, adotou o dia 3 de dezembro como Dia Internacional das Pessoas com
Deficiência, por meio da resolução A/RES/47/3. Com este ato, a Assembléia considera que ainda falta muito para se resolver os problemas dos deficientes, que não pode ser deixado de lado pelas Nações Unidas.
A data escolhida coincide com o dia da adoção do Programa de Ação Mundial para as Pessoas com Deficiência pela Assembléia Geral da ONU, em 1982. As entidades mundiais da área esperam que com a criação do Dia Internacional todos os países passem a comemorar a data, gerando conscientização, compromisso e ações que transformem a situação dos deficientes no mundo. O sucesso da iniciativa vai depender diretamente do envolvimento da comunidade de portadores de deficiência que devem estabelecer estratégias para manter o tema em evidência. Um dia para
promover os Direitos Humanos de todas as pessoas portadoras de deficiência Este
documento foi preparado por Agnes Fletcher, publicado originalmente
em inglês por Disability Awareness in Action/Disabled Peoples’ Internacional.
A edição em português foi traduzida por Romeu Kazumi Sassaki e publicada
pelo PRODEF-Programa de Atendimento aos Portadores de Deficiência, Secretaria
Municipal de Assistência Social, da cidade de São Paulo e pela APADE-Associação
de Pais e Amigos de Portadores de Deficiência. O
nosso Dia Esse documento foi projetado para dar apoio ao trabalho das organizações
das pessoas deficientes na observância e celebração do Dia Internacional.
Este é o Nosso Dia e podemos utilizá-lo para promover nossas organizações e os direitos das
pessoas com deficiência no mundo inteiro – nos níveis local, nacional,
regional e internacional. Ele pode ser também uma oportunidade para
estimular debate sobre os assuntos de deficiência em geral e tornar
públicos os programas, as políticas e as leis boas e más. Nós
temos valor Muitos de nós ouviram durante anos que as nossas vidas têm pouco valor.
Mas a verdade é que as nossas necessidades são importantes, as nossas
habilidades e experiências são de enorme valor para a comunidade, a
sociedade, o mundo. ·
envolver as pessoas com deficiência
e suas organizações. ·
celebrar nossa experiência e perícia. ·
conscientizar sobre assuntos de deficiência. ·
promover os direitos humanos de todas
as pessoas portadoras de deficiência. ·
conquistar oportunidades iguais às de
pessoas não portadoras de deficiência. ·
garantir que pessoas com deficiência
possam participar plenamente da vida da comunidade. ·
assegurar que pessoas deficientes tenham
voz em programas e políticas que afetam nossa vida. ·
eliminar a violação de nossos direitos
humanos. Acesso – à moradia
decente e pagável e a todos os novos edifícios e recintos públicos e
também a alterações feitas durante a reforma de edifícios antigos. Transporte – cujos serviços sejam acessíveis a todas as pessoas e não uma medida separada. Educação – que seja integrada e com apoio, se necessário. Emprego - acessível e com igualdade de remuneração e condições. Informação – disponível também em meios de comunicação acessíveis a pessoas com deficiência
visual ou auditiva. Influência – sobre programas e políticas que nos afetam. LEMBRETE O QUE É A DEFICIÊNCIA? Explicações sobre a deficiência Enfatizando
direitos, não a caridade ·
a deficiência é uma questão de direitos
humanos. ·
as violações contra os direitos humanos
das pessoas deficientes ocorrem diariamente em todos os países do mundo. ·
estas violações estão institucionalizadas
nos sistemas administrativos de cada país. Vocês encontrarão, aqui neste documento, alguns fatos e números sobre a
natureza global da deficiência e alguns exemplos específicos de violação
ocorridos em diversos países. Cabe à organização
onde vocês atuam identificar as violações específicas com que se defrontam
os membros e fazer com que a comunidade inteira conheça essas violações. OS NOSSOS DIREITOS HUMANOS Os direitos humanos incluem direitos
civis, políticos, econômicos, sociais, culturais e de desenvolvimento.
·
à vida ·
à liberdade de expressão
·
a um julgamento justo ·
à proteção contra
tortura e violência Os direitos econômicos, sociais e culturais incluem os direitos: ·
ao trabalho em condições
justas e favoráveis ·
à proteção social ·
a um adequado padrão
de vida ·
aos padrões mais
altos possíveis de saúde física e mental ·
à educação ·
ao usufruto dos benefícios
da liberdade cultura e do progresso científico · ao desenvolvimento · à autonomia econômica · à paz e segurança Precisamos
fazer com que eles sejam respeitados. (Lema da Conferência
Mundial de Direitos Humanos, Viena, Áustria, junho de 1993). ·
Declaração dos Direitos das Pessoas
com Deficiência Mental (ONU) ·
Declaração dos Direitos das Pessoas
Deficientes (ONU) ·
Programa Mundial de Ação relativo a
Pessoas com Deficiência (ONU) As duas declarações
definem os nossos direitos: ·
de desfrutar uma
vida decente, com a nossa dignidade respeitada ·
ao tratamento médico,
psicológico e funcional. ·
à reabilitação física
e social, educação, treinamento e reabilitação profissionais, aparelhos,
aconselhamento, serviço de colocação e outros serviços que nos possibilitem
desenvolver ao máximo nossas capacidades e habilidades e acelerem o
processo de nossa integração ou reintegração social. ·
à segurança econômica
e social e a um nível de vida decente. ·
ao emprego ou ocupação
produtiva e filiação a sindicatos de trabalhadores. ·
de ter necessidades
consideradas em todas as etapas do planejamento econômico e social. ·
de viver com nossas
famílias e participar em todas as atividades sociais, criativas e recreativas. ·
à proteção contra
qualquer exploração e todo tratamento discriminatório, abusivo ou degradante. O Programa
Mundial de Ações relativo a Pessoas com Deficiência é o documento da
ONU sobre política na questão da deficiência. Os efeitos do Programa Mundial de Ação são: ·
a prevenção de impedimentos
evitáveis. ·
a reabilitação para
possibilitar que as pessoas deficientes façam o mais possível. ·
a equiparação de
oportunidades PASSANDO PARA AÇÃO Conscientizando o público O objetivo principal do Dia Internacional é o de conscientizar a população a respeito das questões relacionadas
à deficiência. Uma das maneiras
mais simples de fazer isso consiste em falar com as pessoas. Conversando
com alguém sobre vocês – o seu dia-a-dia, os seus pensamentos e sentimentos
– vocês facilitam a compreensão dele a seu respeito. Se cada um de nós
falar às pessoas a respeito de como a sociedade nos incapacita, nós
poderemos avançar muito na direção da conscientização e da mudança de
atitudes sobre a deficiência. Mudando
as atitudes Para ajudar a mudar atitudes, é também importante juntarmo-nos a outras
pessoas deficientes. Organizando eventos aos quais a comunidade local
seja convidada, apareceremos como participantes ativos na sociedade
— com idéias, habilidades, necessidades e direitos. Direitos,
sim; caridade, não É muito importante certificarmo-nos de que o nosso Dia não seja utilizado como uma ocasião que reforce
estereótipos tradicionais (pessoas deficientes tidas como passivos alvos
da caridade e da ajuda). Muitos de nós estamos habituados a ter a maior
parte de nossa vida controlada por outras pessoas. Precisamos não permitir
que isso continue assim. Nós precisamos assumir o controle do nosso
Dia. Apenas as pessoas portadoras de deficiência devem decidir como
celebrar o Dia Internacional. Organizações não governamentais internacionais
concordaram que a ênfase do Dia Internacional deva ser em direitos
humanos, não em caridade, e isso foi apoiado em resolução da ONU. O
que fazer PLANO
DE AÇÃO Juntem-se
a outras pessoas com deficiência. Evolvam formuladores de políticas,
profissionais e a mídia.
Tornem
públicas as questões e soluções relativas a deficiência Apontem
como as mudanças beneficiarão a todos. Sugestões Arranjem para que programas de rádio locais, com perguntas ao vivo pelo
telefone, estimulem a comunidade a debater sobre as questões da deficiência,
mudar visões estereotipadas sobre pessoas deficientes e promover soluções
que beneficiem a todos. Talvez vocês possam conseguir, a preço reduzido ou sem custo, um anúncio
sobre o Dia Internacional em jornais locais.
QUE TAL O TEMPO Em algumas partes do mundo, o dia 3 de dezembro será provavelmente um bom
dia para as pessoas estarem ao ar livre. Em outras partes, contudo,
o dia poderá ser muito quente ou muito cinzento, frio, chuvoso ou com
muita neve. É importante pensar sobre isso quando planejar eventos. Se for inconveniente
levar o público à rua devido à temperatura, então um evento abrigado
será melhor. Pois é mais provável que as pessoas compareçam a uma reunião
pública em recinto interno, talvez com bebidas quentes ou algo
parecido. REALIZAÇÃO DE EVENTOS Líderes Existem muitos eventos diferentes que podem divulgar o trabalho e comemorar
o Dia Internacional – reuniões comunitárias, debates, desfiles, tribunais
em recintos públicos, concertos, eventos desportivos e artísticos integrados,
vigílias. Se vocês forem organizar um evento, convidem um líder ou celebridade local
para fazer a abertura oficial na condição de convidado de honra. Isto
fará com que muitas pessoas se interessem pelo evento. Assim é mais
provável que vocês conseguiram cobertura da mídia. Leituras
públicas Vocês poderiam organizar uma sessão de leitura pública (simultaneamente
com interpretação na língua de sinais) a ser feita por pessoas deficientes
a respeito de experiências de vida, complementando o evento com exibição
de filmes e vídeos. Dentre as pessoas que irão ler, devem ser incluídos
homens e mulheres de diferentes idades, raças e tipos de deficiência. Compromisso
político e apoio comunitário Antes de convidar oficialmente o governador ou prefeito para assinar a moção,
conversem com secretários estaduais ou municipais e funcionários públicos
de alto escalão a fim de conseguir o apoio deles. Qualquer carta dirigida
ao governador ou ao prefeito passa primeiro por funcionários de primeiro
escalão. Informem
essas autoridades que outros governadores e prefeitos de outras partes
do mundo assinaram moções semelhantes e que haverá reconhecimento internacional
da assinatura deles na Assembléia Geral da Nações Unidas. Vocês podem fazer uma demonstração pública das suas opiniões sobre a questão
da deficiência para marcar o Dia Internacional. Ela pode consistir de
uma passeata ao longo de uma avenida principal da cidade, ostentando
faixas e bandeiras feitas em casa para que os transeuntes possam ver
quais são as questões. Este tipo de ato precisa ser cuidadosamente planejado
para que ocorra bem e com segurança. Vocês necessitam: ·
considerar se este
ato é apropriado. ·
informar as autoridades. ·
planejar o evento
cuidadosamente. ·
conseguir que algumas
pessoas com deficiência atuem como organizadores do ato. SUGESTÕES
DE EVENTOS
·
Teatro de rua focalizando temas de deficiência. ·
Comes e bebes com debates sobre os temas. ·
Exposições de obras artísticas produzidas por
pessoas deficientes. ·
Competições sobre acessibilidade com prêmios
para melhor ou pior. ·
Conferências e workshop para a mídia ou o público. ·
Dias de solidariedade com outros grupos religiosos,
políticos ou comunitários. ·
Competição para crianças sobre moradias acessíveis
sobre, por exemplo, quem constrói a rampa
mais simples? ·
Dias de integração, com crianças de uma escola
comum que visitam uma escola especial. ·
Eventos integrados inserindo esporte ou dança.
Publicidade Qualquer que seja o evento, a publicidade
é vital para que as pessoas portadoras de deficiência e outras saibam o que está acontecendo Elaborem folhetos
com a programação do evento e distribuam cópias em locais onde as pessoas
deficientes possam vê-las.
Escrevam uma
carta para a coluna de leitores de jornais locais convidando pessoas
deficientes a comparecerem ao evento.
Anunciem o
evento nas emissoras de rádio locais.
USANDO
A MÍDIA O poder da mídia Uma das formas
mais rápidas e eficazes de conscientizar as pessoas sobre a questão
da deficiência é a mídia. Através de jornais, revistas, rádio e televisão,
nós podemos fazer com que as pessoas saibam a respeito desta questão,
do Dia Internacional e de nossos eventos.
Tentem saber
quem é quem na mídia, lendo jornais, ouvindo programas de rádio, perguntando
às pessoas.
Procurem identificar
quais jornalistas e produtores de programas vocês poderiam abordar.
Enviem press releases (materiais e boletins informativos) para jornais e
emissoras de rádio e televisão, fazendo-os chegar pelo menos três dias
(mas de preferência uma semana antes do evento planejado). Certifique-se
de que a mídia compreende a importância do Dia Internacional e de que
o Dia foi proclamado pela ONU e está sendo celebrado em todo o mundo.
O Dia Internacional não consta ainda do calendário regular de eventos,
calendário esse que ajuda os profissionais da mídia a planejar matérias
ao longo do ano. Portanto, precisamos envidar um grande esforço nos
primeiros anos para implementar o Dia.
Histórias locais para a mídia local Se vocês estão
concentrados na mídia local, forneçam aos jornalistas de rádio, televisão
e imprensa escrita casos de discriminação ocorridos localmente. Por
exemplo, lojas inacessíveis, pessoas impedidas de entrarem em restaurantes,
cinemas, empregos e escolas. Uma história pessoal sempre sensibiliza
a mídia.
Contudo,
devemos relembrar que as imagens estereotipadas tradicionais a respeito
da pessoa deficiente têm sido uma importante barreira contra a compreensão
das questões da deficiência por parte do grande público e dos formuladores
de políticas. LEMBRETE
Transformem
em temas os obstáculos e discriminações que as pessoas com deficiência
enfrentam no dia-a-dia: barreiras arquitetônicas e de comunicação e
atitudes da sociedade para com as deficiências. Direitos, não a caridade, Respeito,
não a piedade. Palavras e fotos: imagens
da deficiência Surgiram
estas diretrizes aos profissionais da mídia:
ACESSO À INFORMAÇÃO E AO MEIO FÍSICO
Mídia alternativa
Procurem assegurar-se
de que todas as publicações e apresentações relativas ao Dia Internacional
estejam disponíveis a toda a população —incluindo pessoas com deficiência
visual, auditiva ou mental. O material
escrito deve estar disponível em: Palavra falada Quando falarem
com alguém que tenha deficiência auditiva: ·
Fiquem
de frente para ele enquanto falam. ·
Não cubram
sua boca com as mãos. ·
Falem
com clareza, nem muito vagarosamente nem muito rapidamente. Certifique-se
de que a iluminação é suficiente para que os rostos de oradores e intérpretes
possam ser vistos.
Acesso ao meio físico Considerem
o acesso físico. Vocês necessitam rampas? Os sanitários são acessíveis?
Alguém tem qualquer outra necessidade, por exemplo, uma tomada para
o aparelho de respirar?
É importante que a sua organização
defina as violações.
Se um usuário de cadeira de rodas
deseja comparecer a um evento público (social, cultural ou político)
e ele não puder adentrar o local do evento porque o edifício não é acessível,
um direito dele enquanto cidadão foi violado.
Uma pessoa cega, interessada em
participar de um debate público mas sem acesso visual a um jornal no
qual se baseiam as discussões, está em situação semelhante. A institucionalização é uma das
formas mais graves e comuns de exclusão e violação. A liberdade de associação
fica limitada. A privacidade não existe. Freqüentemente as pessoas são
impedidas de casar, ter filhos e votar. Em muitos casos, a institucionalização,
nas palavras de muitos documentos internacionais de direitos humanos,
configura um “tratamento cruel, desumano e degradante”.
Áreas para serem checadas:
Moradia.
Existem casos acessíveis em quantidade suficiente? Transporte.
As pessoas deficientes conseguem entrar nos veículos e instalar-se livremente? Educação.
Todas as escolas locais são acessíveis? Emprego.
Os principais locais de trabalho são acessíveis? Como são as atitudes dos empregadores?
Os salários são os mesmos dos trabalhadores não deficientes? Edifícios
públicos. São acessíveis os prédios municipais, restaurantes,
cinemas, teatro, bibliotecas, hotéis e recintos desportivos? Atitudes.
O que os lojistas locais, lideres religiosos, crianças, professores,
políticos e profissionais da mídia pensam sobre pessoas deficientes?
Como eles definem a deficiência?
É
importante conhecer a situação antes de tentar mudar as coisas. Quanto
mais vocês puderem descobrir – fatos e números – melhor para suas campanhas.
Existem 500 milhões de pessoas deficientes
no mundo – um décimo da raça humana. E 80% das pessoas com deficiência
vivem em países em desenvolvimento. Um terço desses 80% é composto de
crianças. Nos países em desenvolvimento, 80% das pessoas portadoras
de deficiência vivem em zonas rurais.
Em todas as partes, pessoas deficientes
estão entre os mais pobres dos pobres. A elas são negados o acesso a
edifícios, a informação, a independência, oportunidades, a escolha de
opções e o controle sobre a própria vida.
Estima-se que está entre 85 a 114
milhões o número de mulheres e meninas submetidas à mutilação genital,
o que pode levar à deficiências severas, à infertilidade e até a morte.
A cada dia, pelo menos 6.000 meninas correm esse risco.
·
Pelo menos um terço de todas as deficiências
poderia ter sido evitado ou curado.
·
300.000 crianças ainda são atingidas pela pólio
a cada ano.
·
A desnutrição causa deficiência em 1 milhão
de pessoas por ano.
·
20 milhões de pessoas cegas poderiam ter sua
visão recuperada com cirurgias de catarata.
Em alguns países, 90% das crianças
deficientes não sobreviverão além dos 20 anos de idade e 90% das crianças
com deficiência mental não sobreviverão além dos 5 anos de idade.
A Organização Mundial de Saúde estima
que 98% das pessoas deficientes em países em desenvolvimento são totalmente
negligenciados. A maioria dos países não possui sistema gratuito de
cuidados médicos ou de seguridade social.
60% das pessoas deficientes americanas,
canadenses e britânicas têm renda a baixo da linha da pobreza.
Em países em desenvolvimento, é
extremamente improvável que as crianças deficientes recebam educação
e mais tarde encontrem emprego.
Em países desenvolvidos, a maioria
das crianças deficientes recebe educação segregada e de nível acadêmico
abaixo do nível alcançado nas escolas comuns, e tem probabilidade duas
vezes maior de ficar desempregada na idade adulta.
De acordo com a Organização Mundial
do Trabalho, a taxa de desemprego entre as pessoas com deficiência é
de 2 ou 3 vezes mais alta do que entre as pessoas sem deficiência. Nenhum país possui sistemas de transporte
plenamente acessíveis e apenas alguns países aprovaram leis pertinentes
a logradouros públicos acessíveis.
Em muitos países, pessoas deficientes
não podem votar, casar ou herdar propriedades. Às vezes, pessoas que
não conseguem expressar-se oralmente ou por escrito são consideradas
legalmente incapazes, embora existam outros meios de comunicação, como
por exemplo a língua de sinais.
Em alguns países da América Latina,
pessoas cegas não podem votar ou se candidatar à eleição, sob a alegação
de que é difícil para elas votarem com responsabilidade ou guardarem
o segredo do voto.
A deficiência é particularmente
prejudicial para mulheres, crianças, negros, idosos, refugiados e outros
grupos que experienciam a discriminação. Estas pessoas experienciam
discriminação dupla ou até tripla.
Estimativamente, 2 milhões de afeganes
têm algum tipo de deficiência. Estima-se que a cada ano outras 100 pessoas
se tornam deficientes em conseqüência de doenças e explosão de campos
minados.
No final do ano de 1990, pelo menos
50.000 afeganes tiveram um ou mais membros amputados. Cerca de 40.000
afeganes receberam membros artificiais e outros 7.500 estão na lista
de espera. Dezenas de milhões de outros afeganes tiveram lesões, tais
como a perda de visão ou audição e lesão cerebral. O Afeganistão registra
um alto índice de lesões devidas a doenças, guerras e acidentes e falta
de serviços de cuidados básicos de saúde. O trauma de uma guerra, prolongada
atinge inevitavelmente a saúde mental dos habitantes.
África do Sul A cada dia, pessoas morrem por violência.
Para cada morte, 3 pessoas adquirem lesões permanentes. De cada 3 mulheres,
uma será estuprada. De cada
4 crianças, uma é sexualmente agredida. Mulheres deficientes e crianças
deficientes são particularmente vulneráveis. 50% das crianças deficientes
nunca foram à escola. 70% das pessoas com deficiência nunca tiveram
um emprego. Alemanha (1) Desde 1989, uma campanha cruel de
violência e intimidação contra pessoas deficientes na Alemanha ganhou
força, paralelamente com ataques contra outros grupos minoritários.
Instituições residenciais para pessoas
deficientes foram alvo de bombas incendiárias. Pessoas com deficiência foram expulsas das praias
do Mar Norte. Crianças com deficiência têm sido impedidas de participar
de vagas escolares. Recentemente, um homem idoso portador de cegueira
foi brutalmente espancado e morreu a caminho do hospital. Crianças com
deficiência auditiva, em idade escolar, foram barbaramente espancadas
por desordeiros que as viram usando a língua de
sinais.
Usuários de cadeira de rodas foram
alvo de cuspidas e espancamentos e ouviram o aviso: “Na época de Hitler
vocês seriam enviados à câmara de gás.” O aviso fazia sentido: “A Solução
Final” significava a morte de milhares de pessoas deficientes. No outono de 1992, um juiz da cidade
de Flensburg concedeu a um casal de turistas o reembolso de 10% das
despesas de viagem, sob a alegação de que eles tiveram que fazer refeições
no restaurante de um hotel onde um grupo de pessoas deficientes também
comia.
Bélgica Mais de 3.000 deficientes continuam
sendo erroneamente mantidos em instituições destinadas a pessoas que
têm problemas de saúde mental.
Bósnia- Herzegóvina Do número total de feridos na guerra,
mais de 60% são civis. Destes, 40% foram feridos severamente e ficaram
com lesões permanentes. No total, cerca de 160.000 pessoas foram feridas.
A maioria delas tem lesões neurológicas e ortopédicas permanentes. Como
são refugiados, estas pessoas não têm direito a cirurgias e serviços
de reabilitação. Algumas delas foram submetidas à tortura e violência
enquanto prisioneiras de guerra. Milhares de mulheres foram estupradas
e traumatizadas através do exílio forçado e da destruição das casas,
além de presenciarem o assassinato de maridos e filhos. Camboja A cada mês, cerca de 200 pessoas
são atingidas pela explosão de minas enterradas por todo interior do
país durante a guerra. Dezenas de milhares de pessoas ficaram deficientes
em conseqüência de sérias lesões de guerra, desde 1970.
El Salvador
No dia 20 de maio de 1993, em San
Salvador, a polícia de segurança disparou com rifles automáticos sobre
um grupo de 5.000 pessoas deficientes que faziam passeata em prol de
cuidados médicos e outros benefícios.
Três pessoas com deficiências foram
mortas e outras 10 a 15 pessoas deficientes ficaram feridas. Cerca de
30 pessoas foram detidas, incluindo 2 em cadeira de rodas que foram
arrastadas ao longo das ruas pela polícia.
Europa Mais de 500 pessoas foram atacadas
e ficaram com lesões, muitas
permanentemente, quando procuravam asilo
político na Europa, em 1993.
Filipinas Estima-se que cerca de 70% das mulheres,
na região de cordilheira das Filipinas, têm severos sintomas clínicos
de insuficiência de iodo. É provável que as crianças nascidas dessas
mulheres venham a ter deficiências físicas e mentais, aprendizagem lenta,
coordenação motora precária, pouco crescimento e surdez nervosa. Em
alguns lugares, de cada 5 crianças, uma nasce com deficiência mental.
Grã Bretanha Um homem portador de deficiência
mental foi condenado por estupro e homicídio, após uma “confissão”.
Ele cumpriu 16 anos de uma pena perpétua quando foi absolvido em apelação.
Evidência cientifica disponível, mas não utilizada no julgamento, provou
que é impossível para ele ter cometido o crime.
Na Grã-Bretanha, de cada 10 pessoas,
uma é deficiente e, no entanto, os portadores de deficiência compreendem
apenas 0,3% de toda a população universitária.
Na Grã-Bretanha e nos EUA, 65% das
pessoas com deficiência vivem abaixo da linha da pobreza e têm probabilidade
2 vezes maior de ficarem desempregadas em relação a qualquer outro grupo
populacional.
Desde 1990, a situação na Ilha de
Leros, na Grécia, é amplamente conhecida – pessoas com deficiência mental
e pessoas com problemas de saúde mental foram colocadas em um mesmo
grupo, sem privacidade, sem roupas adequadas, sem higiene ou alimentação.
Um outro caso, o do Instituto Daphne,
pode ser até pior. Mas o acesso ao caso foi proibido.
Na Holanda, recentemente, um juiz
declarou que uma pessoa deficiente não era igual ao restante da população
geral e que, por isso, ela não poderia esperar tratamento igual. Esta
pessoa deficiente estava apresentando no tribunal uma queixa de discriminação
contra a Estrada de Ferro Holandesa. 350.000 pessoas com problemas de
saúde mental estão hospitalizadas, a maioria das quais por dez anos
ou mais. Mais de 50% delas estão em alas de confinamento. A grande maioria
delas foi compulsoriamente detida por recomendação das próprias famílias
ou de gabinetes de prefeituras locais.
No
Hospital Hope Of Glory, em Selangor, 100 pessoas deficientes com idade
que vão de 15 a 25 anos, estão amarradas às camas, que não têm colchões,
e ficam chafurdadas na própria imundice e são lavadas com jatos d’água. Disabled Peoples’ International (DPI) defende os direitos das pessoas
portadoras de deficiência. Sua filosofia consiste em igualdade em todas
as sociedades do mundo. A rede da DPI possui mais de 100 membros que
são organizações nacionais, das quais mais da metade em países em desenvolvimento.
A DPI tem status consultivo junto à Organização das Nações Unidas (ONU).
IMPACT é uma iniciativa internacional contra deficiências evitáveis,
lançadas pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD),
Organização Mundial de Saúde (OMS) e fundo das Nações Unidas para a
Infância (UNICEF). O escritório internacional em Genebra coordena fundações
nacionais do IMPACT em vários países em desenvolvimento e meios de comunicação
em massa, as fundações ajudam a iniciar medidas de baixo custo para
combater deficiências.
Inclusion International (International Leage of Societies of Persons
with Mental Handicap é a única organização que fala pelos 40 milhões
de portadores de deficiência mental no mundo, suas famílias e as pessoas
que trabalham junto a eles. A entidade inclui 100 organizações espalhadas
em 67 países e existe para ajudar seus membros a atingir seus respectivos
objetivos em respostas às necessidades locais. A Inclusion International
tem status consultivo junto à ONU.
Reabilitation International é uma federação de 145 organizações em
82 países, que desenvolve programas destinadas a ajudar pessoas com
deficiência e todos aqueles que trabalham na prevenção, reabilitação
e integração.
Word Blind Union (WBU) é constituída por representantes de 120 organizações
nacionais de pessoas com deficiência visual e por entidades que as atendem.
As pessoas deficientes compartilham do controle da WBU. A meta da WBU
é a equiparação de oportunidades e participação plena para pessoas portadoras
de deficiência . A WBU tem status
consultivo junto a ONU.
World Federation of the Deaf (WFD) é uma organização internacional
de associações nacionais de surdos. A WFD foi estabelecida em 1951 e
se dedica à participação plena e igualdade de direitos das pessoas com
deficiência auditiva. A WFD tem status
consultivo junto a ONU.
Disability Awareness in Action (DAA). 11 Belgrave Road, London SW1V
1RB (Grã-Bretanha). Tel: + 44 71 834 0477. Fax: + 44 71 821 9812. Disabled Peoples’ International (DPI). 101-7 Evergreen, Winnipeg,
R3L. 2T3 (Canadá). Tel + 204 287 8010. Fax: + 204 287 8175. Economic and Social Commission for Asia and the
Pacific (ESCAP).
United Nations Building. Rajdamnern Avenue, Bangkok 10200 (Tailândia).
Tel + 66 2 282 9161. Fax: + 66 2 282 9662. Economic and Social Commission for West – em Asia
(ESCWA).
P.O. Box. 927115, Amman (Jordânia). Tel + 962 6 694 351. Fax: + 962
6 694 980 82. Economic Commission for Africa (ECA). P.O. Box 3001, Addis Abeba (Etiópia).
Tel: + 251 1 517 200. Economic Commission for Europe (ECE). Palais des Nations, 1211
Geneva 10 (Suíça). Tel:
+ 41 22 73460 11. Fax: + 41 22 739825 IMPACT, c/o WHO. Room 1.225,20 Avenue Appia, CH-1211,
Geneva 27 (Suíça). Tel: + 41 22 791 3733. Fax: + 41 22 792 0746. Inclusion International International League of Societies with
Mental Handicap – ILSMH). 248 Avenue Louise, bte. 17 Brussels, B-1050
(Bélgica). Tel. + 32 2 647 6180. Fax: + 32 2 647 2969. Reabilitation International. 25 East 21 st Street. New York, NY
10010 (EUA). Tel: + 212 420 1500. Fax: + 212 505 0871. United Nations Centre for Human Rights. 8-14 Avenue de la paix, CH- 1211, Geneva
10 (Suíça). Tel + 41 22 907 1234. Fax: + 41 22 917 0123. Word Blind Union. 224 Creat Portand Street, London W1N 6AA (Grã-Bretanha).
Tel: + 44 71 388 1266. Fax: + 44 71 388 1266. Fax: - 44 71 383 –0508. World Federation of the Deaf. P.O. Box. 65, SF –00401 Helsinki (Finlândia).
Tel: + 358 0 58031. Fax + 358 0 580 3770.
Uma
lista mais completa de endereços internacionais e regionais está disponível
na DAA e no PRODEF.
Nessa mesma ocasião, ao tomar conhecimento
dos objetivos do PRODEF – Programa de Atendimento aos Portadores de
Deficiência da FABES, o sr Mamadou Barry mencionou a existência do documento
“Information Kit to Suport the International Day of Disabled Persons:
3 December, a Day to Promote the Human Rights of All Disabled People”.
Em seguida , o PRODEF solicitou ao Centro de Informações das Nações
Unidas um exemplar desse documento, no que foi atendido de imediato.
Assim sendo, decidiu o PRODEF fazer
uma tradução sua diretamente do texto original inglês. E para realizar
essa tarefa, foi incumbido o sr Romeu Kazumi Sassaki, profissional com
longa experiência em trabalhos de tradução no campo da deficiência. ·
A Câmara Municipal de São Bernardo do Campo,
no Estado de São Paulo, aprovou em 27-8-93 a Resolução Nº 1.199 que
dispõe sobre a realização de sessão solene em comemoração ao Dia Internacional, anualmente no mês de dezembro e de preferência
no dia 3. Ela já realizou tal solenidade em 1993 e 1994. ·
O Prefeito do Município de São Paulo, por iniciativa
da Secretaria da Família e Bem-Estar Social, assinou em 30-5-95 o Decreto
Nº 35.161, que institui a Semana
da Pessoa Portadora de Deficiência, a ser comemorada, anualmente
de 3 a 10 de dezembro. Nas considerações, o Decreto justifica o dia
3 por ser o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência e o dia 10
por ser o dia dos Direitos Humanos.
Nota do
Tradutor: Vocês podem saber
mais sobre os direitos humanos através do Centro de Informação das Nações Unidas, com endereço no Palácio Itamaraty 196, Av Marechal Floriano, 196, Rio de Janeiro, RJ, CEP
20080-002, TEL. (021) 253-2211 e fax (021) 233-5753.
Ou contatando a Disabled
Persons Unit, Room DC2-1302, DSPD/DPCSD, 2 United Nations Plaza, New
York, NY 10017, EUA, tel. (212) 963-3897
e fax (212) 963-3062.
IDÉIAS PRÁTICAS EM APOIO AO
3 DE DEZEMBRO:
Definindo violações de direitos humanos
Lista de checagem sobre acessibilidade
Saber é poder
Visão global
Prevenção
Reabilitação
DETALHES
DE VIOLAÇÃO EM ALGUNS PAÍSES
Abaixo encontram-se alguns detalhes específicos
de violação. Todavia, deve ficar enfatizado que nenhum país em
todo mundo apóia plenamente os direitos humanos das pessoas
com deficiência.
Afeganistão
Grã-Bretanha e Estados Unidos da América
Holanda
Japão
ORGANIZAÇÕES PERTINENTES À DEFICIÊNCIA
ENDEREÇOS
POSFÁCIO À EDIÇÃO BRASILEIRA
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